Doença Cardiovascular e Fatores de Risco em Mulheres na América Latina e no Caribe
TL;DR
This study analyzed epidemiological data on CVD mortality and cardiovascular risk factors across LAC countries, including behavioral, metabolic, and female-specific risk factors, and conducted comparisons with selected countries outside the region.
Abstract
Resumo Fundamento A doença cardiovascular (DCV) permanece como a principal causa de morte entre mulheres na América Latina e no Caribe (ALC), sendo a doença isquêmica do coração o principal componente. Apesar desse importante impacto, os programas de saúde da mulher na região tradicionalmente priorizaram a prevenção do câncer, frequentemente negligenciando a DCV. Objetivo Analisar a carga de DCV e a distribuição dos fatores de risco cardiovascular entre mulheres na ALC, destacando diferenças relacionadas ao sexo e disparidades regionais. Métodos Este estudo analisou dados epidemiológicos sobre mortalidade por DCV e fatores de risco cardiovascular nos países da ALC, incluindo fatores comportamentais, metabólicos e específicos do sexo feminino, além de comparações com países selecionados fora da região. Resultados As mulheres na ALC apresentaram maior prevalência de sedentarismo, dislipidemia, glicemia de jejum elevada e sobrepeso/obesidade, enquanto o tabagismo foi mais frequente entre os homens. Fatores de risco específicos do sexo feminino – como gravidez na adolescência, parto prematuro, diabetes gestacional e distúrbios hipertensivos da gestação – foram altamente prevalentes, porém sub-reconhecidos, sendo amplamente influenciados por determinantes socioeconômicos. Em 2021, a COVID-19 superou temporariamente a doença isquêmica do coração e o acidente vascular cerebral como principal causa de morte nas Américas (176,7 óbitos por 100.000 habitantes), evidenciando a vulnerabilidade de mulheres com risco cardiometabólico prévio. A mortalidade prematura por DCV variou amplamente: as maiores probabilidades de morte entre 30 e 70 anos foram observadas no Haiti (21,9%) e na Guiana (15,2%), associadas, respectivamente, à hipertensão mal controlada e ao colesterol elevado. Em contraste, o Canadá apresentou a menor mortalidade prematura (1,7%), refletindo sistemas de saúde mais robustos e menor prevalência de fatores de risco metabólicos. Conclusão A DCV continua sendo a principal causa de mortalidade entre mulheres na ALC, caracterizada por importantes disparidades regionais e elevada carga de fatores de risco tradicionais e específicos do sexo feminino. Esses achados reforçam a necessidade urgente de estratégias específicas ao sexo e sensíveis ao contexto, integrando a prevenção cardiovascular às políticas abrangentes de saúde da mulher, superando abordagens centradas exclusivamente no câncer.