Efeitos da atividade física estruturada sobre os sintomas motores e a qualidade de vida de pacientes adultos com Doença de Parkinson: uma revisão integrativa da literature
Abstract
Introdução: A doença de Parkinson (DP) é a segunda enfermidade neurodegenerativa mais prevalente no mundo e compromete progressivamente a funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes, enquanto a terapia farmacológica apresenta limitações ao longo do curso da doença. Nesse contexto, o exercício físico estruturado tem se destacado como estratégia terapêutica complementar. Objetivo: investigar os efeitos da atividade física estruturada sobre os sintomas motores e a qualidade de vida de pacientes adultos com DP. Métodos: trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida segundo as etapas propostas por Whittemore e Knafl e as diretrizes PRISMA 2020, com buscas nas bases PubMed/MEDLINE, Cochrane Library, SciELO, LILACS, PEDro e Web of Science, contemplando publicações de 2016 a 2026. A qualidade metodológica foi avaliada pela escala PEDro, pelo instrumento AMSTAR-2 e pela escala Newcastle-Ottawa. Resultados: dos 1.847 registros identificados após a remoção de duplicatas, 52 estudos compuseram o corpus da revisão, sendo 13 ensaios clínicos randomizados, 35 revisões sistemáticas, 1 estudo quase-experimental e 3 estudos longitudinais de coorte. A maioria das modalidades investigadas, incluindo exercício aeróbico, treinamento resistido, treino de equilíbrio e marcha, exercícios mente-corpo, dança, caminhada nórdica, realidade virtual, exercício aquático e treinamento intervalado de alta intensidade, apresentou benefícios sobre os sintomas motores e a qualidade de vida em comparação aos grupos controle. Entre as modalidades analisadas, a dança apresentou elevada magnitude de efeito sobre os sinais motores; o Tai Chi e o treinamento com perturbação destacaram-se na melhora do equilíbrio e na redução do risco de quedas; o treinamento resistido apresentou benefícios sobre força muscular e bradicinesia; e a dança e o exercício aquático mostraram resultados favoráveis na qualidade de vida. As evidências apontam ainda mecanismos potenciais de neuroplasticidade e neuroproteção, incluindo aumento do BDNF, modulação da neuroinflamação e preservação dopaminérgica demonstrada principalmente em modelos experimentais. Frequências de 3 a 5 sessões semanais, particularmente em intervenções superiores a 12 semanas, estiveram associadas aos melhores resultados clínicos. Conclusão: a atividade física estruturada constitui uma intervenção eficaz e segura como complemento à farmacoterapia na DP, devendo sua prescrição considerar as características clínicas, o estadiamento da doença, as preferências individuais e estratégias que favoreçam a adesão a longo prazo.