EFICÁCIA E SEGURANÇA DA COLCHICINA EM BAIXA DOSE NA REDUÇÃO DO RISCO INFLAMATÓRIO RESIDUAL EM PACIENTES COM DOENÇA ARTERIAL CORONARIANA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
Abstract
Introdução: A doença arterial coronariana (DAC) permanece como a principal causa de mortalidade global, e o risco inflamatório residual surge como um desafio crítico em pacientes com níveis lipídicos controlados. A colchicina, por meio da inibição do inflamassoma NLRP3, atua como um agente anti-inflamatório promissor para mitigar a progressão aterosclerótica. Objetivo: Avaliar de forma sistemática a eficácia e a segurança da colchicina em baixa dose (0,5 mg a 1,0 mg/dia) na prevenção secundária de eventos cardiovasculares maiores em adultos com doença coronária estável ou após síndrome coronariana aguda. Metodologia: Revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados (ECRs) conduzida conforme as diretrizes PRISMA. As buscas abrangeram bases MEDLINE, Embase e CENTRAL, incluindo estudos com seguimento mínimo de seis meses. A qualidade metodológica foi avaliada pela ferramenta Cochrane RoB 2 e a certeza da evidência pelo sistema GRADE. Resultados: Foram incluídos 12 estudos, totalizando 22.983 participantes. Com base em evidências de alta certeza, a colchicina reduziu significativamente o risco de infarto do miocárdio em 26% (RR 0,74; IC 95% 0,57-0,96) e de acidente vascular cerebral (AVC) em 33% (RR 0,67; IC 95% 0,47-0,95). Não houve redução significante na mortalidade por todas as causas (RR 1,01; IC 95% 0,84-1,21) ou na mortalidade cardiovascular (RR 0,94; IC 95% 0,73-1,22). Entretanto, identificou-se um sinal de alerta sobre o aumento da mortalidade não cardiovascular (OR 1,54; IC 95% 1,10-2,15). O uso da droga não aumentou eventos adversos graves, mas associou-se a uma maior incidência de intolerância gastrointestinal (RR 1,68). Conclusão: A colchicina em baixa dose é uma estratégia eficaz para reduzir eventos isquêmicos recorrentes na prevenção secundária, embora seu impacto na sobrevida global seja neutro e o sinal de aumento na mortalidade não cardiovascular exija monitoramento e seleção criteriosa dos pacientes.