Percepção e Desafios dos Cirurgiões-Dentistas da Atenção Primária à Saúde no Diagnóstico Precoce do Câncer de Boca
Abstract
Introdução: O câncer de boca é o principal agravo em saúde bucal, e a detecção precoce dessa doença está diretamente associada a melhores desfechos clínicos. Objetivo: Identificar fatores relacionados aos cirurgiões-dentistas da Atenção Primária à Saúde (APS) que contribuem para a baixa resolutividade no diagnóstico precoce da doença. Método: Estudo observacional transversal com cirurgiões-dentistas atuantes nos municípios de um Estado do Sudeste do Brasil. Os dados foram coletados por questionário on-line e analisados por meio de estatística descritiva e o teste qui-quadrado. Resultados: Obtiveram-se 248 respostas ao questionário. A maioria dos profissionais relatou insegurança no diagnóstico de desordens com potencial de malignização (64,52%), baixa autopercepção de habilidade para realização de biópsias e desconhecimento dos fluxos de atendimento. Apenas 16,13% afirmaram realizar biópsia, enquanto 62,90% nunca haviam realizado o procedimento. Não foi observada associação significativa entre a realização de biópsia pelos cirurgiões-dentistas da APS e o tempo de prática clínica (p=0,659). Destaca, ainda, que o pouco conhecimento das lesões precursoras do câncer de boca está associado ao tempo de atuação do profissional (p=0,002), com impacto na aptidão para o rastreamento/diagnóstico (p<0,001) e prática de biópsia (p<0,001). Por fim, foram levantadas deficiências estruturais e ausência de ações educativas contínuas. Conclusão: Este estudo evidencia que a baixa resolutividade da APS no diagnóstico precoce do câncer de boca pode estar associada à carência de capacitação prática e de suporte institucional.