Papel da Ressonância Magnética na Avaliação da Doença Carotídea
Abstract
A estenose da artéria carótida interna é um fator etiológico determinante no acidente vascular cerebral isquêmico, tornando o diagnóstico preciso e a caracterização da vulnerabilidade da placa aterosclerótica pilares fundamentais na estratificação de risco. Tradicionalmente, o ecodoppler colorido e a angiografia digital foram os métodos de eleição, contudo, a evolução das sequências de imagem avançadas permitiu que a ressonância magnética (RM) transcendesse a simples avaliação anatômica. O objetivo desta revisão sistemática é analisar o papel da ressonância magnética, especialmente a técnica de placa, na identificação de características morfológicas associadas à instabilidade da placa carotídea e sua acurácia na graduação da estenose em comparação aos métodos convencionais. A metodologia consistiu em uma análise detalhada da literatura médica, focando em estudos brasileiros e diretrizes que utilizam a RM para análise da composição tecidual, como o núcleo lipídico necrótico, a hemorragia intraplaca e a integridade da capa fibrosa. Os resultados indicam que a RM de alta resolução oferece informações prognósticas superiores aos métodos baseados estritamente na redução do lúmen, permitindo identificar placas "vulneráveis" mesmo em estenoses de grau moderado. Conclui-se que a RM de carótidas configura-se como uma ferramenta diagnóstica de alta sensibilidade e especificidade, essencial para o manejo clínico personalizado e a seleção otimizada de pacientes para intervenções cirúrgicas ou endovasculares.