INFLUÊNCIA DO MANEJO PERIOPERATÓRIO NOS RESULTADOS DA RESSECÇÃO PROXIMAL DO FÊMUR EM PACIENTES COM PARALISIA CEREBRAL: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
Abstract
A ressecção proximal do fêmur é procedimento de salvamento para pacientes com paralisia cerebral e quadril cronicamente deslocado, doloroso e não reconstruível. Esta revisão sistemática analisou protocolos perioperatórios e desfechos clínicos, funcionais e radiográficos. Foram pesquisadas publicações de janeiro de 2013 a julho de 2026 em PubMed/MEDLINE, LILACS/BVS e SciELO, com busca complementar no Google Scholar e rastreamento de citações, conforme PRISMA 2020 e SWiM. Dos 36 registros identificados, 11 estudos não randomizados, predominantemente retrospectivos, foram incluídos. As amostras variaram de 10 a 63 pacientes, com seguimento médio de 19,3 a 77,1 meses e predomínio de indivíduos GMFCS IV–V. Houve ampla variação em interposição, tração, imobilização, mobilização, analgesia, controle do tônus e profilaxia da ossificação heterotópica. A maioria dos estudos relatou redução da dor e melhora da capacidade de sentar, higiene perineal e satisfação dos cuidadores. Não houve superioridade consistente entre técnicas ou protocolos. A indometacina não reduziu a ossificação heterotópica, enquanto a radioterapia pré-operatória mostrou menor frequência e extensão em um estudo. A evidência sustenta benefícios clínicos, mas a heterogeneidade e as limitações metodológicas impedem definir um protocolo superior.