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INSUFICIÊNCIA CARDÍACA COM FRAÇÃO DE EJEÇÃO PRESERVADA: FISIOPATOLOGIA, DIAGNÓSTICO E AVANÇOS TERAPÊUTICOS

Sep 2026 · Aposta: Revista de Ciencias Sociales · 0 citations

Abstract

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) constitui síndrome clínica heterogênea, caracterizada por sinais e sintomas de congestão associados a disfunção diastólica do ventrículo esquerdo, na presença de fração de ejeção geralmente igual ou superior a 50% (BOZKURT et al., 2021). Estima-se que a ICFEp responda por aproximadamente metade de todos os casos de insuficiência cardíaca, com prevalência crescente relacionada ao envelhecimento populacional e à alta carga de comorbidades cardiometabólicas, como hipertensão arterial, obesidade, diabetes mellitus tipo 2 e doença renal crônica (BRAGAZZI et al., 2021). O diagnóstico permanece desafiador, exigindo integração entre quadro clínico, biomarcadores natriuréticos, achados ecocardiográficos de disfunção diastólica e, quando necessário, escores validados como o H2FPEF e o algoritmo HFA-PEFF (PIESKE et al., 2019; REDDY et al., 2018). Por muitos anos, o arsenal terapêutico foi limitado a estratégias sintomáticas, sem impacto consistente sobre desfechos duros. Esse cenário mudou substancialmente com os resultados dos ensaios EMPEROR-Preserved e DELIVER, que demonstraram redução do desfecho composto de morte cardiovascular e hospitalização por insuficiência cardíaca com o uso de inibidores do cotransportador sódio-glicose 2 (iSGLT2), estabelecendo essa classe como terapia fundamental da ICFEp (ANKER et al., 2021; SOLOMON et al., 2022). Estudos subsequentes, como o STEP-HFpEF e o FINEARTS-HF, ampliaram as opções terapêuticas ao demonstrar benefício de agonistas do receptor de GLP-1 no fenótipo obesidade-ICFEp e de antagonistas não esteroidais do receptor mineralocorticoide, respectivamente (KOSIBOROD et al., 2023; SOLOMON et al., 2024). Paralelamente, o reconhecimento da amiloidose cardíaca por transtirretina como causa subjacente relevante em pacientes idosos com ICFEp reforça a importância da investigação etiológica dirigida (GONZÁLEZ-LÓPEZ et al., 2015). Este capítulo discute os fundamentos fisiopatológicos, os critérios diagnósticos atuais, as evidências terapêuticas mais recentes, o manejo das comorbidades associadas e as perspectivas futuras da ICFEp, sob uma perspectiva multidisciplinar e baseada em evidências.

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