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Desempenho manual e funcionalidade de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista

Abstract

Introdução: O atraso no desempenho motor de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é um critério diagnóstico, porém estudos indicam que suas habilidades motoras podem ser inferiores às de crianças com desenvolvimento típico. O desempenho manual destaca-se entre os domínios afetados, podendo comprometer atividades de vida diária e o nível funcional, dada sua relação direta com tarefas cotidianas. Objetivo: Verificar a relação entre o desempenho manual e o desempenho funcional de crianças e adolescentes com TEA. Método: Estudo transversal e quantitativo, aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Minas Gerais (CAAE: 79149824.4.0000.5149). Participaram 37 crianças e adolescentes (7,97 ± 2,20 anos), de ambos os sexos, com diagnóstico confirmado de TEA, recrutados no Laboratório de Integração Sensorial (LAIS) e no Programa de Atenção Interdisciplinar ao Autismo (PRAIA). A dominância manual foi avaliada pelo Inventário de Preferência Lateral Global (IPLAG-B); o desempenho manual, pelo Teste de Caixa e Blocos (TCB); e o desempenho funcional, pelo Pediatric Evaluation of Disability Inventory – Computer Adaptive Test (PEDI-CAT). Foram aplicados testes de correlação de Pearson e Spearman para verificar associações entre o desempenho manual e os domínios do PEDI-CAT, além do teste t de Student e Wilcoxon para comparação entre as mãos. Resultados: As crianças são majoritariamente do sexo masculino e destras. No TCB, observou-se desempenho semelhante entre as mãos (Mão direita= 35,2; mão esquerda = 33,8 blocos) e maior número de erros com a Mão Esquerda (p = 0,030). Houve correlação positiva e significativa entre o número de blocos da MD e o domínio Responsabilidade do PEDI-CAT (r = 0,441; p = 0,006), indicando associação moderada entre destreza manual e autonomia funcional. Conclusão: Crianças e adolescentes com TEA não apresentaram assimetria manual significativa, sugerindo possível alteração nas relações inter-hemisféricas. O desempenho funcional reduzido em Atividades de Vida Diária indica maiores dificuldades em tarefas que exigem coordenação e planejamento motor. Intervenções voltadas ao aprimoramento das habilidades motoras finas e adaptativas podem favorecer autonomia e participação social.

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