Um Novo Escore de Risco Cardiovascular por Ressonância Magnética para Prever a Mortalidade Após Substituição Cirúrgica da Válvula Aórtica
Abstract
A estenose aórtica degenerativa representa uma das valvopatias mais prevalentes na população idosa, sendo a substituição cirúrgica da válvula aórtica (SAVR) o tratamento padrão-ouro para casos sintomáticos. Contudo, a precisão na predição de desfechos pós-operatórios, especialmente a mortalidade, permanece desafiadora, visto que os escores de risco tradicionais baseiam-se predominantemente em comorbidades clínicas e dados demográficos, negligenciando, muitas vezes, a avaliação refinada do remodelamento miocárdico. A ressonância magnética cardíaca (RMC) emergiu como a modalidade de imagem superior para a caracterização tecidual, permitindo a quantificação precisa da fibrose miocárdica e da hipertrofia ventricular. O objetivo desta revisão sistemática foi analisar a validade científica e a aplicabilidade clínica de um novo escore de risco cardiovascular baseado em parâmetros de RMC para prever a mortalidade após SAVR. Realizou-se uma busca sistemática nas bases de dados LILACS, SciELO e MEDLINE, selecionando estudos que avaliaram o papel da RMC na estratificação de risco pré-operatória. Os resultados indicam que parâmetros como o volume extracelular, o realce tardio pelo gadolínio e a massa ventricular indexada, quando integrados em escores multivariados, apresentam valor incremental significativo em relação aos modelos clássicos para a predição de mortalidade em curto e longo prazo. Conclui-se que a incorporação da RMC no escore de risco transforma a avaliação pré-operatória, oferecendo uma predição mais personalizada e precisa, capaz de identificar pacientes de alto risco que se beneficiariam de um manejo terapêutico diferenciado ou de estratégias de intervenção menos invasivas.